No meio da pedra tinha um caminho


REBELDIA AINDA QUE TARDIA - Capítulo I

Nem pensava em ser rebelde! Fazia pouco tempo e eu tinha tido uma festa de 15 anos quase de princesa! Com direito a vestido cor de rosa e bolo de glacê. Todo o Colégio XV tava lá. Quase uma princesa mesmo! Não tinha música. Logo a música que é um pedaço da minha vida! Não teve música, mas teve oração (sabe como é, né, família 100% evangélica). E eu lá no meio de todos do Colégio Evangélico XV de Novembro pagando o mico da minha vida. Não fosse pela presença de Maurício, o cara mais cool (mais rico e mais gostoso também) da turma, que usava umas calças rasgadas e era fã do Bad Religion e do Faith No More, a festa teria sido ainda mais tediosa. Culto evangélico, nada de música, e uma paixão platônica divulgada para os quatro cantos do planeta!
Maurício era amigo de Cacá, meu primo que eu beijava na boca de vez em quando (ainda não existia ficar). Mas eu gostava mesmo de Maurício. Indício de que eu iria levar para a minha vida adulta uma certa quedinha por homens levemente degradados. Ainda por cima o cara tinha os olhos azuis. Indício de que eu iria levar para a minha vida adulta um certo interesse por referências britânicas. E eu era completamente apaixonada por ele. Nunca deu em nada. Só amizade. No final das contas, eu terminei ficando com Dirceu, um cara super legal, super meu amigo e que tinha namorada. Mas, pelo menos roubava as rosas de todos os jardins particulares de Garanhuns só pra me agradar. Indício de que eu levaria para a minha vida adulta esse ar de "não tô nem aí pra nada". E eu já tinha 16 anos.
O marco.
Da rebeldia. Da filosofia. Da revolução proletária dentro de mim. Do puta-que-pariu pra Igreja (eu que durante anos tinha sido a melhor aluna da escola dominical). E eu só tinha 16 anos...

(Continua)



Escrito por Cynthia Campos às 11h56
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Menino de rua, que cheira cola

Merece nosso respeito e amor

Senhor Prefeito e Governador



Escrito por Cynthia Campos às 18h00
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GIRL POWER

Depois de ficar exposta a raios ultralaranjados por mais de cinco horas, eis que sofri uma mutação e me transformei em girl power.

Escrito por Cynthia Campos às 18h42
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TPM

Chorei a semana toda. Me sentindo na merda. Grana no fim. Salário curtíssimo pras contas desse mês. Mas tudo bem. Passa. Mas chorei a semana toda. Cada olhar de reprovação. Cada ato de discordância. Cada tentativa de controle me fizeram chorar. O dia em que mais chorei foi o dia em mais choveu. Ou o dia em que mais choveu foi o dia em que mai chorei. Não sei. Só sei que chorei. Sábado, domindo, segunda, terça, quarta (então), quinta... só ainda não chorei hoje. Pudera, estou menstruada. Puta dor de cabeça. Puta vontade dormir. Puta vontade de não trabalhar. Depois da TPM, a moleza. Essa coisa de ser mulher, de sentir dor, de ter medo de ficar só, de poder vestir saia e usar presilha... Essa coisa de ser mulher: de poder gostar de poesias, de querer casar, de usar batom, cinta-liga e scarpin. ESSA COISA DE SER MULHER: de carregar o mundo nas costas, de ter jornada de trabalho tripla, quátrupla, de depois de uma dia de trabalho aguentando a chateação da cafuzuagem, ainda ter que dar duro em casa porque a grana tá curta pra empregada. Essa coisa de ser mulher: bem resolvida pra poder dar a volta por cima e entender que tudo passa, que a merda não vem pra ficar, pra acreditar que não tem culpa, pra se punir pela desgraça, pra querer mudar o mundo. NÃO. Pra querer mudar o mundo pertence a essa coisa de ser EU. Essa coisa de ser EU: de ser mãe o suficiente pra não querer ser mãe, de ser capaz de levar porrada e ficar na diplomacia, de pintar o cabelo pra disfarçar os 30 anos, de não acreditar nos 30 anos. Mas como fugir dos 30 anos, se a idade me convida à reflexão, se a idade me convida às dúvidas e as incertezas... Agora acho que só se eu morrer como uma deusa...



Escrito por Cynthia Campos às 14h44
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QUE PORRA É ISSO QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Faz um  tempão que eu não publico nada. Seis meses, quase. Pensei em escrever sobre os animais, sobre as crianças, sobre minha vó. Mas me encontro (de repente) querendo escrever sobre a vida. Sobretudo, essa COISA que está acontecendo comigo. Que me faz pular da cama 4:30 da manhã e chegar super cedo no trabalho. Que me faz ficar sem fome. Que passa sobre mim como um rolo compressor. E que me devolveu a empolgação pra cumprir minhas obrigações (escrever minha dissertação, por exemplo). Já disse Dirceu para Marília: "Tudo passa, a sorte nesse mundo é mal segura, se depois da bonança vem a desgraça, depois dos males vem a cura". É isso. Acho que estou me curando de uma doença chamada dependiis cronique, vulgo acomodação. E prestes a completar 30 anos (mesmo conservando meu rostinho e corpinho de 18) sinto vontado de arrumar as gavetas, de jogar fora as cartas e as fotos de antigos amores e de escrever a PORRA da dissertação! É, porque depois de amargar uma estafa de lascar, me estremecer com meu querido orientador e ter problemas conjugais, um elfo me arranca da escuridão, me dá um tapa na cara e me obriga a acordar, a cantar, a sorrir, a viver. Chegou no meu ouvido e falou: Vai viver, MULHER! O mundo é teu. E agora eu tô assim... sem saber o que fazer. Pô, meus amigos, respondam: SERÁ QUE EU AINDA SOU DO PODER?

Escrito por Cynthia Campos às 07h42
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QUEIJO E GOIABADA

Segunda-feira, altamente chuvosa (pelo menos durante a madrugada) e parece que todas as pessoas estão ressacadas. Deve ter sido o 12 de junho. Dia dos Namorados no Brasil. Filas em restaurantes, cinema e motéis – programinhas bem convencionais. Dia de dar presentinho comprado em loja com vitrine decorada com coraçõezinhos vermelhos. Dia de estrear aquela lingerie vermelha. De se entorpecer bebendo vinho. Tinto. Branco. E por que não, dia de agradecer a Santo Antônio a graça de não precisar pedir uma Graça. Ou um Alfredo. Ou Maria. Ou José. Dia de comer bombom e de trocar cartões recheados de juras de amor. Eternas enquanto durem. E por falar em troca de cartões, lembrei de um que recebi uma vez (nessa época eu nem tinha namorado) numa loja de shoppinhg. Gostei do cartão. Na verdade, adorei. Não por ser em homenagem a 12 de junho, claro. Mas por trazer nomes de casais que quase nunca são lembrados como histórias de amor. Sid e Nancy. Queijo e Goiabada. Thelma e Louise. E assim por diante. Decidi, então, preencher o cartão com grandes casais colhidos no meu imaginário. Casais que deram certo por anos, por alguns meses e até por alguns minutos. Casais que nem sempre assumiram ser um casal. Na verdade uma homenagem a grandes casais, não importando se seus membros ainda continuam fazendo ou não parte do casal. Alguns membros se até se repetem em outros casais. Alguns talvez nunca saibam que estão aqui. Mas vale a lembrança. Fabíola e Osmar, Hellen e Baracho, Monick e Diogo, Adriana e Pedro, Renata e Bartô, Jane e Jô, Claudinha e Serginho, Fabio e Toni, Johnny e Karina, Cynthia e Ivanildo, Afra e Vicente, Janaína e Ricardo, Charles e Amy, Geuba e Nanãe, Cynara e James, Lila e Jarbas, mainha e painho, Cacá e Ocacira, Sandra e Sinistro, Guida e Luiz, Rui e Telma, Mauricio e Joana, Lena e Alisson, Adriana e Renato, George e Ana karina, Silvana e Luís Henrique, mas essa história tem final feliz: Silvana e Peixoto, Tatá e Totó, Guida e Fernandinho, Lidiane e Everclay, Mel e Chico, Alessandra e Breno, Débora e Petrônio, Monick e Levi, Luciano e Stela. E por que não o casal mais cool de toda essa história? Cynthia e André.

Escrito por Cynthia Campos às 14h42
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FLASHDANCE

Nem pretendia escrever sobre moda (pelo menos não agora). Mas não deu para resistir depois de ter me deparado com o que eu chamaria de “polainas pós-modernas”. Só me veio flashdance no quengo. Lembra? What a feeling... e Jennifer Beals pulando, circulando, jogando as madeixas para todos os lados (tentei imitar uma vez e passei o dia enjoada) e se jogando no chão. De polainas. Claro. A moda é assim. Reinventa conceitos. O que na década de 80 era de lã e listrada (as polainas), reaparecem no século XXI rosa pink (nos idos 80 era choque) e de tecido quase sintético. Mas do que eu estou gostando mesmo na reinvenção da moda são os scarpins, eternamente eternizados por Marilyn Monroe e outras divas do Cinema. São a verdadeira manifestação de poder feminino. Pretos, vermelhos, brancos, com poás e até rosa choque (prefiro o choque do que o pink. Soa mais feminista). A Melissa, outro ícone bem oitentão (quem foi que não usou “a melissa furadinha”, e a “melissa de tirinha”?) se garante quando o assunto é reinvenção de conceitos. Principalmente dos scarpins. Irreverência nos scarpins. Mas, voltando às polainas... sempre me pergunto se é realmente o povo que tem tanto mau gosto ou se é a indústria massificada da moda que empurra goela abaixo da população mais carente (de recursos, informação, bom gosto, leitura, cultura, etc.) blusas cheias de buraco e sandálias cheias de fivela. É, porque se estavam expostas numa vitrine aquelas polainas cor de rosa choque é porque, no mínimo, alguém vai se prontificar a comprar e sair por aí jurando que está num filme ambientado nos anos 80 em que a mocinha pobre luta para fazer sucesso como dançarina de jazz. Se é que a pessoa que venha adquirir tais polainas saiba mesmo da existência de Flashdance. Eu, por minha vez, vou ficando por aqui com os meus scarpins futuristas (de plástico)cor de rosa, choque, claro!

Escrito por Cynthia Campos às 13h50
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FELINOS

Às vezes tento imaginar como seria a vida (a minha) sem os felinos. Dóceis e astutos, ferozes e carentes. Tantos foram os que já passaram em minha vida. Tantos são os que ainda nela existem. Tanto é o meu amor por eles. Aos que passaram, aos que estão e aos que passarão por meus cuidados, minha homenagem, grandes criaturinhas!

Escrito por Cynthia Campos às 15h46
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